
A sala de aula é um ambiente de diversidade. Embora o docente tenha uma turma de discentes com a mesma média de idade e possibilidades de desenvolvimento, também é um ambiente de vivências pessoais, em que cada um tem uma história de vida diferente, ritmos de aprendizagens diferentes, e muitos fatores exógenos que influenciam, seja no relacionamento ou no rendimento. Segundo Sá citado por Rafaeli e Silveira (2009, p. 38), “(...) não se trata de colocar a cultura surda de um lado, e a cultura ouvinte de outro, como se estivesse tratando de oposições binárias, mas trata-se de proclamar os surdos enquanto grupo social”. É, por isso, que o profissional deve lançar um olhar atencioso para cada ser, não cedendo espaços para generalizações. Estar atento a sua volta, pois quadros de problemas auditivos são exprimidos no ambiente, cabendo ao docente rever seu planejamento e até quem sabe o fio condutor de suas intervenções pedagógicas, para que esse sujeito não seja prejudicado em detrimento dos demais. Percebida e aceita a deficiência auditiva como diferença, o surdo precisa ser compreendido mais claramente em suas angústias, expectativas e demandas individuais e sociais. Pois, as barreiras comunicativas criam dificuldades de desenvolvimento cognitivo compatível de aprender como qualquer ouvinte e, na ênfase de que não deve ser dada à falta, mas total direcionamento a dimensão lingüística e cultural que caracteriza a diferença do surdo. O surdo que não ouve, mas porque desenvolve potencialidades psicológicas e culturais diferenciadas dos ouvintes, e que são baseados na linguagem e na experiência visual. Para Perlin e Skliar (2005, p. 57), “(...) a identidade surda se constrói dentro de uma cultura visual, essa diferença precisa ser entendida não como uma construção isolada, mas como construção multicultural”. Nesta linha, entende-se que a identidade dos surdos é o conjunto de traços que o distingue dos ouvintes, representada por uma cultura específica, resultante das interações entre surdos. Tal ser que vivencia a falta de audição num mundo de sons, o que impede de adquirir naturalmente a linguagem oral usada pela comunidade majoritária, portanto, baseando-se nessa diferença sua identidade é construída, utilizando estratégias cognitivas, comportamentais e culturais diferenciadas da maioria dos ouvintes. Um outro aspecto, sempre em pauta, que o importante da cultura dos surdos, é a adoção de uma ética da vida em seus comportamentos, pois, para os surdos, o que valida a ação é se ela atende ou não aos objetivos e necessidades básicas da vida, ou seja, sobrevivência, prazer e satisfação plena dessas necessidades. O docente precisa estar numa vertente nova de que o surdo percebe o mundo de forma diferenciada dos ouvintes, através de uma experiência visual e faz uso de uma linguagem específica para isso - a língua de sinais. Esta língua é, antes de tudo, a imagem do pensamento dos surdos e faz parte da experiência vivida da comunidade surda. Como artefato cultural, a língua de sinais também é submetida à significação social a partir de critérios valorizados, sendo aprovada como sistema de linguagem rica e independente. Este proporcionando meios para sanar a dificuldade de aprendizagem, afinal sujeito que pode ser ensinado aos conteúdos curriculares e participação ativa na vida social. A escola precisa estar aberta à cultura surda, precisa reconhecê-la como cultura, precisa proporcionar meios para que seus educandos surdos não sejam vistos apenas como o deficiente auditivo, mas como alguém que possui uma identidade cultural própria, significativa com características próprias. Esta instituição precisa proporcionar recursos lingüísticos para que o surdo possa se desenvolver de forma autônoma, preparando-o para enfrentar desafios, não o vendo sob o ângulo da surdez, mas da diferença.
Referências
PERLIN, Gladis T. T. Identidades Surdas. In: SKILAR, Carlos. A Surdez: um Olhar Sobre as Diferenças. Editora Mediação. Porto Alegre, 2005.
RAHAELI, Kátia Solonage Coelho e SILVEIRA, Maria Dalma Duarte. Língua Brasileira de Sinais: Libras. Indaial: Asselvi, 2009.
Paper- Canteiro Pessoal




